
Ontem à noite, por ocasião do debate
«Que Desafios para o Concelho de Alcochete» realizado no Fórum Cultural no âmbito da elaboração do Plano Estratégico para o Desenvolvimento de Alcochete , perante cerca de 60 pessoas , Luis Franco (Dr.) anunciou a contratação do Prof.Augusto Mateus e da sua equipa para a elaboração deste importantissimo documento estratégico que foi batizado de
Alcochete2025 Visão e Estratégia , documento que segundo o edil estará pronto no primeiro semestre de 2010.
Augusto Mateus salientou na sua intervenção de cerca de 2 horas , a necessidade de intercatividade do processo de elaboração de um documento que deve ser uma expressão do colectivo ; o ideal de mudança e conservação inteligente que o mesmo deve observar ; a contextualização de Alcochete no âmbito da cidade região de Lisboa e do reequilibrio territorial inerente ao desenvolvimento de um conceito territorialmente abrangente que pode valorizar o concelho atenta a sua posição central na valorização do Tejo e do Atlântico ; os desafios inerentes à criação de condições que permitam atrair investimento para o concelho , destacando as actividades aeroportuários caso se confirme a construção do novo aeroporto ; a qualificação de Alcochete como espaço de visitação ; a necessidade de uma ponderação equilibrada da questão das acessibilidades a Alcochete.
O ex ministro não deixou ainda de referir o aproveitamento deficiente da potencialidade estética de Alcochete , tendo identificado aquilo que apelidou de«toques de fealdade» na sede do concelho.
Apesar do período pré-eleitoral que vivemos , do facto de entender ,como já aqui referi , que a preparação deste instrumento deveria ter sido uma prioridade deste executivo desde o primeiro dia do mandato , e do «timing» escolhido para o arranque deste processo poder estar associado à proximidade de um acto eleitoral , pautei a minha intervenção no debate , no qual participei na qualidade de munícipe e Vice Presidente do PSD/Alcochete , por uma atitude de cooperação positiva , evitando qualquer politização do mesmo , focando a minha atenção na necessidade de se investir tempo e reflexão no modelo de participação na elaboração deste documento estratégico. A este propósito sugeri que se promovam sessões temáticas , work shops , e que se envolvam as forças vivas do concelho no debate , para além de sessões deste genéro e da utilização da internet como meio de angariação de sugestões.
Entre «private jokes» de Luis Franco (não há nada menos elegante do que estarmos num grupo de pessoas, alguém dizer um frase e só uma ou duas perceberem.) , foi a CDU a marcar negativamente a sessão , quando um militante e autarca comunista , que obviamente não conseguiu perceber qual o propósito subjacente à realização do debate e o seu cariz transversal que necessariamente impõe uma mobilização supra partidária de todo o universo alcochetano , tentou instrumentalizar a sessão e transformá-la num comicio do partido , chamando à colação a temática dos projectos de candidatura da CMA aos fundos do QREN ,agitando de forma atabalhoada e despropositada a bandeira da perseguição a Alcochete por parte do poder central.
A intervenção desse autarca , que fez questão de enumerar quase todos os cargos que ocupa no concelho ( e digo «quase» porque acabou por admitir que se calhar se estava a esquecer de algum cargo...que Giro...) acabou por merecer o meu repúdio tendo apelado à mesa que tentasse evitar a transformação do debate num comicio politico da CDU. Sobre este ponto não posso deixar de referir a forma pedagógica como Luis Franco (Dr.) interveio junto do seu desabrido camarada , explicando que não era aquele o momento e o local para politização do debate.
Preferi evitar baixar ao nível daquela intervenção , o que certamente conseguiria se tivesse relembrado aos presentes no debate as verdadeiras razões pelas quais os projectos de candidatura da CMA aos fundos do QREN foram chumbados. Preferi contudo não descer ao nível do autarca comunista em questão.
Sobre esta questão destaco também a intervenção final de Augusto Mateus que apelou para a necessidade de não poluir o processo participativo com questões que possam provocar divisões que ponham em causa a boa preparação de um instrumento que deve ser a expressão de uma vontade verdadeiramente colectiva. Duvido contudo que o autarca comunista em questão tenha percebido o alcance da mensagem.
Aguardo então que todas as manifestações de vontade Augusto Mateus relativamente à promoção de um processo verdadeiramente participado em torno da preparação deste instrumento sejam concretizadas.